O Ministério da Saúde do Líbano informou que 129 estabelecimentos de saúde foram atingidos por ataques israelenses durante 45 dias de confrontos. A ofensiva resultou na morte de 100 profissionais da área da saúde e deixou 233 feridos. Além disso, 116 ambulâncias foram destruídas nos bombardeios, levando ao fechamento de seis hospitais no país.
De acordo com comunicado divulgado pelo escritório da Organização das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) no Líbano, esses ataques violam gravemente o direito internacional humanitário e comprometem o acesso da população aos serviços médicos.
Esses incidentes constituem uma grave violação do direito internacional humanitário e comprometem seriamente o acesso da população aos serviços de saúde.
O ataque a infraestruturas civis, como hospitais e ambulâncias, é caracterizado como crime de guerra. Israel tem justificado as ofensivas afirmando que unidades de saúde estão sendo utilizadas pelo Hezbollah, argumento que tem sido questionado por organizações de direitos humanos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestou preocupação após Israel emitir ordens de evacuação para dois hospitais localizados em Beirute.
Segundo dados provisórios divulgados pelo Ministério da Saúde libanês na sexta-feira, os confrontos levaram à morte de 2.294 pessoas e deixaram aproximadamente 7,5 mil feridos. Entre as vítimas estão 177 crianças mortas e 704 feridas.
O período de hostilidades também registrou sete jornalistas atacados pelas forças israelenses no Líbano nessa fase do conflito.
O Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano (CNRS) estimou que 37,8 mil unidades habitacionais foram destruídas até 12 de abril, quatro dias antes do cessar-fogo. A maior parte das edificações atingidas localiza-se nos subúrbios da capital, Beirute.
O CNRS destacou que essa quantidade representa cerca de 16% dos danos acumulados nas fases anteriores da guerra, evidenciando uma intensificação da destruição em um curto espaço de tempo.
No primeiro dia do cessar-fogo firmado com o Irã, Israel lançou um bombardeio de grande escala sobre o Líbano, principalmente em áreas densamente povoadas e regiões centrais de Beirute, resultando em mais de 300 mortes em apenas dez minutos.
O jornalista e especialista em geopolítica Anwar Assi, que conhece as regiões bombardeadas na capital libanesa, reforçou que tais áreas são compostas majoritariamente por civis.
Essa área é 100% civil. Mesmo os escritórios do Hezbollah são escritórios civis. Ou seja, pela lei internacional, não podem ser atacados. O subúrbio de Beirute não é uma área militarizada. Não tinha porquê bombardear aquelas áreas.
Assi afirmou que possui familiares no Líbano e contestou as alegações israelenses acerca da presença de foguetes nessas localidades.
Isso dá para ver pelos prédios destruídos, que lá não tinha foguete. O único motivo dos ataques foi para forçar o deslocamento dos moradores e criar uma pressão em cima da sociedade libanesa.
Segundo o Ocha, mais de 1,2 milhão de pessoas foram forçadas a deixar suas casas devido a ordens de deslocamento em massa, abrangendo cerca de 15% do território libanês.
Para o especialista Anwar Assi, o objetivo de Israel é provocar o deslocamento em grande escala para enfraquecer o apoio ao Hezbollah entre os libaneses. No entanto, ele aponta que a maioria da população continua apoiando a resistência, inclusive críticos ao grupo rejeitam a ideia de uma guerra civil.
O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, reafirmou recentemente que a coesão nacional e a paz civil são considerados limites intransponíveis, alertando que qualquer tentativa de abalar esses princípios favorece os interesses de Israel.
Israel mantém a posição de que seus alvos são infraestruturas militares do Hezbollah e acusa o grupo de empregar instalações civis para fins militares, alegação rejeitada pela organização.
Em uma das ações, Israel destruiu a última ponte existente sobre o Rio Litani, a Ponte de Qasmiyeh, isolando a região ao sul e interrompendo a ligação entre as cidades de Tiro e Sidon. Após o ataque, uma ponte provisória foi construída para restabelecer a passagem dos habitantes.
O governo israelense, sob comando do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, afirma que a operação militar no sul do Líbano busca estabelecer uma zona despovoada até o Rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira.
Em declaração recente, Netanyahu informou que as tropas tentavam capturar a cidade de Bent Jbeil, município com 30 mil habitantes.
Em março, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que aqueles que fugiram do sul do Líbano não poderiam retornar às suas residências ao sul do Rio Litani.
O deslocamento forçado de civis é igualmente classificado como crime de guerra.
Hussein Melhem, libanês-brasileiro de 45 anos, residia com a família na cidade de Tiro até o início da recente fase de hostilidades, em 2 de março. Com o avanço das operações, mudou-se para a área metropolitana de Beirute e ainda não tem previsão de retorno ao sul do país.
Quero voltar esta semana, mas tem que diminuir a fila um pouco porque está uma luta para voltar ao sul, tem muita gente.
Melhem acrescentou que não se sente seguro em relação à duração da trégua e aguarda os próximos acontecimentos.
O analista Anwar Assi avaliou que as operações de Israel no sul do Líbano têm como objetivo promover uma limpeza étnica para expulsar a população e dominar esses territórios.
O objetivo principal da guerra é a expulsão das pessoas do sul do Líbano. Por isso que eles destruíram escolas, hospitais, prédios do governo e todas as unidades que poderiam dar suporte ao retorno dos civis. Eles destruíram justamente para que essas pessoas que retornassem às suas cidades não encontrassem nenhum tipo de apoio.