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Correios registram prejuízo de 8,5 bilhões de reais em 2025

Valor é mais de três vezes superior ao de 2024 e reflete obrigações judiciais, custos operacionais e mudanças no mercado de atuação da estatal.

24/04/2026 às 01:28
Por: Redação

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios) enfrentou um déficit financeiro expressivo em 2025, totalizando 8,5 bilhões de reais. Este montante representa uma elevação de mais de três vezes em comparação com o ano de 2024, quando a companhia estatal havia reportado um prejuízo de 2,6 bilhões de reais.

 

Conforme esclarecido pela própria empresa, o desempenho financeiro negativo foi majoritariamente impactado pelo volume de provisionamentos destinados a obrigações judiciais e pela elevação contínua dos custos operacionais.

 

A parcela mais significativa desse prejuízo, que chegou a 6,4 bilhões de reais em 2025, corresponde a despesas com processos judiciais, representando um acréscimo de 55,12% em relação a 2024. O passivo judicial da empresa é constituído, principalmente, por demandas de natureza trabalhista, que incluem solicitações de pagamento de adicionais de periculosidade e remunerações adicionais relativas às atividades de distribuição e coleta externas realizadas pelos funcionários.

 

A receita bruta dos Correios em 2025, desconsiderando os pagamentos a serem efetuados pela companhia, alcançou 17,3 bilhões de reais, um declínio de 11,35% em relação ao ano anterior. O relatório financeiro completo da empresa será divulgado oficialmente por meio do Diário Oficial da União.

 

Em vista do volume crescente de resultados financeiros negativos, a estatal buscou suporte junto a instituições credoras, resultando na obtenção de 12 bilhões de reais em empréstimos, concedidos por bancos tanto públicos quanto privados.

 

Acúmulo de Resultados Negativos

 

Os Correios vêm registrando resultados parciais desfavoráveis desde o último trimestre de 2022. Essa sequência levou a empresa a acumular um total de quatorze trimestres consecutivos de ônus financeiro.

 

“É um ciclo vicioso. A dificuldade de caixa gera dificuldade de pagamento ao fornecedor, isso afeta a operação. Ao afetar a operação, a gente macula a capacidade de aumentar o volume [de trabalho] ou de gerar novos contratos”, explicou Emmanoel Schmidt Rondon, presidente dos Correios, durante coletiva de imprensa realizada na sede da empresa em Brasília.

 

O presidente Rondon acrescentou que a estatal enfrenta dificuldades para compensar de forma imediata a redução das receitas através da diminuição de gastos. Ele detalhou que a estrutura de custos dos Correios é “muito rígida”, estando “ancorada em despesas de custos fixos”, o que impede que, diante de uma queda de receita, a despesa seja reduzida no mesmo ritmo para equilibrar as contas.

 

Transformações no Cenário de Atuação

 

O registro de resultados negativos coincide com um período de profundas alterações estruturais no setor de atuação dos Correios. Empresas de comércio eletrônico têm expandido suas próprias operações logísticas, diminuindo a dependência dos serviços da estatal. Essa concorrência surge após a empresa pública já ter perdido uma parcela significativa do mercado de postagem devido às transformações nas modalidades de comunicação, um fenômeno que o presidente Rondon descreve como a “desmaterialização” da carta.

 

Emmanoel Rondon, economista, assumiu a presidência em setembro do ano anterior, com um mandato previsto até agosto de 2027. Seu principal objetivo é conduzir a reestruturação da empresa estatal.

 

Como parte das iniciativas de saneamento, os Correios implementaram dois programas de demissão voluntária (PDV). Na edição atual, 3.181 funcionários optaram pelo desligamento. Este número foi inferior ao registrado no PDV 2024/2025, que contou com a adesão de 3.756 empregados, embora o período para ingresso no plano deste ano tenha sido mais curto, estendendo-se de fevereiro a abril. A meta inicial da estatal era alcançar 10 mil desligamentos, e a empresa não descarta a possibilidade de abrir novos processos de demissão voluntária em momentos futuros.

 

Paralelamente, os Correios implementaram diversas ações para reduzir despesas operacionais. Tais medidas incluíram a diminuição de custos relacionados às atividades de recebimento, distribuição e entrega, a renegociação de débitos com fornecedores e a extensão dos prazos de pagamento. Adicionalmente, a empresa iniciou a contenção de gastos com a ocupação de imóveis e com a manutenção de suas agências.

 

Reestruturação Prioritária, Privatização Descartada

 

Emmanoel Rondon manifestou sua expectativa de que a empresa possa apresentar resultados econômicos favoráveis a partir de 2027. Ele projeta que, à medida que a reestruturação avance, os Correios estarão aptos a atrair mais recursos de financiadores. O presidente da estatal descartou a hipótese de privatização, apesar da defesa dessa medida por alguns economistas alinhados ao pensamento de mercado.

 

“Esse assunto não está na pauta aqui. Estamos apresentando os resultados. Privatização ou não é uma decisão do controlador [o governo federal]. O que que a gente quer? Aqui estamos trabalhando em um plano de gestão de recuperação, para que a empresa permaneça íntegra, viável, que preste um bom serviço, dê resultado positivo”, afirmou Rondon.

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