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BRB cria fundo para transferência de ativos adquiridos do Banco Master

Iniciativa prevê fundo de até 15 bilhões de reais, com participação da Quadra Capital e operações sob investigação da PF.

21/04/2026 às 20:09
Por: Redação

O Banco de Brasília (BRB), controlado pelo Governo do Distrito Federal, anunciou a instituição de um fundo de investimentos dedicado à transferência dos ativos obtidos por meio da aquisição do Banco Master.

 

O comunicado destinado a acionistas, clientes e ao mercado financeiro foi publicado na última segunda-feira, dia 20, após o Conselho de Administração da companhia ter autorizado a realização do negócio.

 

Com o objetivo de alienar os ativos recebidos do Banco Master, a iniciativa ocorre após a liquidação da instituição, anteriormente sob o controle de Daniel Vorcaro, que se encontra detido por crimes financeiros e fraudes.

 

Gestora selecionada e valores envolvidos

A elaboração do fundo conta com a parceria da Quadra Capital, empresa focada em gestão de fundos e especializada em ativos com baixa liquidez, além de possuir notória atuação nos setores de infraestrutura e logística. Nos anos recentes, a Quadra Capital investiu em concessões portuárias localizadas nos estados do Espírito Santo e do Paraná.

 

Segundo informações do BRB, um memorando de entendimento foi firmado entre a instituição e a Quadra Capital, estabelecendo um valor de referência de quinze bilhões de reais para a operação. A estrutura financeira prevê um pagamento inicial, à vista, variando entre três bilhões e quatro bilhões de reais. O montante restante, calculado entre onze bilhões e doze bilhões de reais, será convertido em cotas subordinadas do fundo especialmente desenvolvido para gerenciar e monetizar esses ativos.

 

O fechamento do negócio dependerá do cumprimento de todas as condições estipuladas no memorando de entendimento assinado pelas partes.

 

Operação da Polícia Federal e investigações

Na semana anterior à divulgação desse acordo, a Polícia Federal prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. Costa é acusado de violar normas de governança e facilitar operações sem garantias entre o banco público e o Banco Master.

 

Há suspeitas de que o ex-presidente do BRB tenha recebido propina no valor de 146,5 milhões de reais, paga por Daniel Vorcaro, com o objetivo de viabilizar a aquisição do Banco Master pelo BRB. Essa transação foi posteriormente barrada pelo Banco Central.

 

De acordo com o BRB, a criação do novo fundo de investimentos faz parte de uma estratégia que visa fortalecer o capital próprio e a liquidez da instituição, além de aprimorar a administração do portfólio de ativos. A operação representa uma etapa fundamental no processo de readequação da empresa, com expectativa de impacto positivo na liquidez, no gerenciamento de ativos e na racionalização do patrimônio.

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