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Devoção a São Jorge se manifesta em tradições religiosas no 23 de abril

Considerado padroeiro do Rio de Janeiro, o Santo Guerreiro é celebrado por católicos e presente no sincretismo afro-brasileiro.

23/04/2026 às 12:33
Por: Redação

Milhares de fiéis em todo o Brasil se unem em celebrações tradicionais no dia 23 de abril para homenagear São Jorge. No estado do Rio de Janeiro, esta data é reconhecida como feriado desde 2008, e em 2019, o “Santo Guerreiro” foi oficialmente proclamado padroeiro do estado.

 

A figura de São Jorge é reverenciada como protetor de diversas categorias, incluindo cavaleiros, soldados, escoteiros, esgrimistas e arqueiros. Dentro da doutrina do catolicismo romano, que congrega a maior parte dos adeptos no Brasil, ele simboliza coragem, proteção e a vitória do bem sobre o mal.

 

Origem e Lendas

 

De acordo com informações do Vaticano, São Jorge foi martirizado no ano 303 por manter sua fé cristã perante o imperador romano. A tradição cristã narra que ele nasceu por volta do ano 280 na Capadócia, região que hoje pertence à Turquia, e integrou o exército do imperador Diocleciano, até o momento em que este iniciou uma perseguição aos cristãos.

 

Conhecido como mártir da Igreja Católica, a trajetória de São Jorge é permeada por lendas. A mais célebre delas relata que ele teria salvo uma princesa e derrotado um dragão em um pântano localizado na Líbia.

 

A imagem icônica de São Jorge montado em um cavalo, brandindo uma lança e subjugando o dragão, tornou-se a representação sacra mais facilmente identificável associada ao santo. No Brasil, essa representação adorna uma vasta gama de objetos, como camisetas, tatuagens, além de marcar presença em templos e lares de oração, predominantemente nas cores vermelha e branca, que remetem à Cruz de São Jorge.

 

Sincretismo e Culto

 

São Jorge figura entre os santos de maior popularidade na Igreja Católica e é também venerado por outras denominações, como a Igreja Anglicana e a Igreja Ortodoxa. Sua presença é igualmente notável no sincretismo religioso, um fenômeno onde elementos de distintas tradições religiosas se mesclam em uma única prática ou crença.

 

Em religiões afro-brasileiras como a umbanda e o candomblé, o santo é frequentemente associado a Ogum, o orixá guerreiro, regente do ferro e das batalhas. Em algumas localidades, a exemplo da Bahia, ele também pode ser relacionado a Oxóssi, o orixá da caça e da abundância.

 

O sincretismo religioso no Brasil teve origem durante o período da escravidão, quando africanos trazidos à força para o país começaram a associar seus orixás a figuras católicas. Essa prática permitia que mantivessem suas devoções sem sofrer represálias dos senhores de escravos cristãos.

 

No contexto islâmico, a figura de São Jorge igualmente se manifesta, sendo comumente fundida com Al-Khidr, uma personalidade sábia e imortal creditada com a realização de milagres e a oferta de proteção.

 

Festividades Locais

 

Diversos eventos anuais marcam a celebração do Dia de São Jorge. No Rio de Janeiro, um dos destaques é a tradicional “Alvorada de São Jorge”, um espetáculo de queima de fogos promovido pela Igreja Matriz São Jorge, localizada em Quintino, na zona norte carioca, que ocorre logo ao amanhecer. Além disso, missas são realizadas ao longo do dia.

 

Devido às conexões afro-religiosas, o santo é muito reverenciado na cultura do samba, e diversas escolas de samba do estado organizam suas próprias celebrações. Ogum, orixá da agricultura, tem o feijão como um de seus alimentos sagrados. Assim, nas festividades de 23 de abril, é um costume disseminado pela cidade, em decorrência do sincretismo, que espaços de religiosidade sirvam a feijoada consagrada ao orixá.

 

Debate Histórico

 

Em 1969, sob a gestão do Papa Paulo VI, a celebração de São Jorge foi removida do calendário litúrgico oficial do Vaticano, passando de festa obrigatória para memória facultativa. A justificativa para essa alteração foi a percepção de que faltavam registros históricos substanciais sobre a vida do santo.

 

O portal de notícias oficial e multilíngue da Santa Sé, Vatican News, reconhece essa lacuna, afirmando que:

 

São inúmeras as narrações fantasiosas que nasceram em torno da figura de São Jorge.

Contudo, um registro antigo, uma epígrafe grega datada do ano 368 e encontrada em Eraclea de Betânia, é apontada como uma das raras menções ao santo, referindo-se à “casa ou igreja dos santos e triunfantes mártires, Jorge e companheiros”.

 

Acredita-se que os restos mortais de São Jorge estejam depositados na Igreja de São Jorge, em Lida, uma cidade israelense próxima a Telavive. Por desejo do Papa Zacarias, o crânio do santo está conservado na igreja de São Jorge em Velabro, na cidade de Roma.

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