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Papa Leão XIV aponta líderes e critica uso de religião em conflitos

Em Camarões, pontífice afirma que bilionários recursos em guerras prejudicam cuidado, educação e reconstrução.

16/04/2026 às 17:55
Por: Redação

Durante passagem por Camarões nesta quinta-feira, 16, o papa Leão XIV condenou o comportamento de líderes mundiais que priorizam gastos bilionários em conflitos armados, afirmando que a humanidade está "sendo devastada por alguns tiranos". O pronunciamento do pontífice ocorreu logo após novo ataque público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por meio das redes sociais.

 

Leão XIV, natural dos Estados Unidos e primeiro papa do país, também expressou repúdio à apropriação de temas religiosos por chefes de Estado para respaldar ações bélicas. Ele defendeu uma mudança substancial nas decisões adotadas globalmente e participou de uma reunião em Bamenda, município mais populoso da região anglófona de Camarões, marcada por um confronto prolongado que, há quase dez anos, já resultou em milhares de mortes.

 

"Os mestres da guerra fingem não saber que é preciso apenas um momento para destruir, mas muitas vezes uma vida inteira não é suficiente para reconstruir", discursou o papa durante o encontro em Camarões.


 

O papa destacou a disparidade entre os recursos financeiros investidos para fomentar destruição e a escassez de verbas destinadas à recuperação de sociedades, melhorias em saúde e investimentos em educação. Segundo ele, enquanto há verbas para promover mortes e devastação, faltam meios para iniciativas de cura, aprendizado e restauração social.

 

As manifestações de Trump contra Leão XIV tiveram início no domingo, 12, quando o presidente norte-americano publicou mensagem classificando o papa como "fraco sobre crime e péssimo para a política externa" na rede Truth Social. As críticas foram reiteradas por Trump tanto na terça-feira, 14, quanto na quarta-feira, 15, causando desconforto especialmente no continente africano, onde reside mais de um quinto da população católica mundial. Em uma de suas publicações, Trump chegou a compartilhar uma imagem de Jesus abraçando-o, após outra montagem que o retratava como figura semelhante a Cristo gerar polêmica.

 

Leão XIV manteve postura reservada durante a maior parte do primeiro ano à frente da Igreja Católica, que reúne 1,4 bilhão de fiéis, mas adotou tom crítico aberto em relação à guerra iniciada a partir dos bombardeios promovidos por forças de Israel e dos Estados Unidos contra alvos no Irã.

 

O pontífice voltou a censurar duramente governantes que recorrem a justificativas religiosas para legitimar campanhas militares.

 

"Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para seu próprio ganho militar, econômico e político, arrastando o que é sagrado para a escuridão e a sujeira", declarou Leão XIV.


 

O papa descreveu esse cenário como uma inversão dos valores fundamentais e uma distorção da criação, reforçando a necessidade de rejeição dessa postura por parte de todas as consciências honestas.

 

No mês anterior, o líder religioso já havia dito que Deus não aceitaria orações de autoridades cujas "mãos estão cheias de sangue", em referência a declarações do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, que utilizou argumentação cristã para justificar a guerra contra o Irã.

 

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