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MIS inaugura exposição inédita dedicada a Janis Joplin em São Paulo

Mostra reúne mais de 300 itens originais e oferece experiência sensorial imersiva no MIS

17/04/2026 às 14:02
Por: Redação

Em agosto de 1969, Dorothy relatou em carta a um destinatário não identificado o quanto era incomum para ela ver sua filha ser chamada de “rainha” ou “deusa”. Ao terminar a mensagem, ela mencionava que a filha havia parado de escrever cartas, limitando-se a ligar ocasionalmente.

 

Naquele mesmo mês, a filha de Dorothy estava imersa em compromissos: ela era um dos grandes destaques do festival de Woodstock, onde já era conhecida mundialmente como um dos principais nomes do rock e se consagrara como uma das maiores vozes femininas do gênero, título que ainda causava estranheza à mãe.

 

Quase 57 anos após essa apresentação histórica, Janis Joplin, filha de Dorothy, passa a ser homenageada com uma exposição inédita no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, a partir desta sexta-feira, dia 17. O evento reúne mais de 300 itens originais, incluindo figurinos, acessórios, manuscritos, os emblemáticos óculos, uma estola de penas e diversas outras peças que pertenciam à artista e estavam sob a guarda da família, sem nunca terem sido exibidas anteriormente.

 

O responsável por trazer o acervo de Janis Joplin ao MIS, Chris Flannery, explicou que o projeto foi viabilizado depois que conheceu o administrador do espólio da cantora. Três anos antes, Flannery havia organizado uma mostra sobre B.B. King no museu, fato que inspirou o contato do responsável pelo acervo de Janis, que enviou uma lista de objetos e várias imagens da coleção.

 

“Esta será a maior exposição de Janis já realizada em qualquer lugar do mundo.”


 

Entre os itens apresentados estão roupas e desenhos originais. Chris Flannery declarou que, ao examinar os escritos e desenhos da artista, o público vai conhecer facetas pouco conhecidas de Janis, destacando que ela também era uma artista visual.

 

Os ingressos para visitar a exposição custam 30 reais (meia-entrada) e 60 reais (inteira). Nas terças-feiras, exceto feriados, a entrada é gratuita.

 

Imersão na atmosfera de Janis Joplin

 

É a terceira ocasião em que o MIS dedica uma exposição a grandes nomes femininos do rock. Antes de Janis, o museu reservou espaço para celebrar as trajetórias de Rita Lee e Tina Turner.

 

De acordo com André Sturm, diretor-geral do museu e curador, ao se pensar nos anos finais da década de 1960 e início dos anos 1970, no contexto da contracultura, do rock e da liberação sexual, a música aparece como referência principal, com Janis Joplin no centro desse cenário.

 

A mostra ocupa o primeiro andar do MIS e foi desenvolvida para proporcionar uma experiência sensorial ao visitante, marcada por cenografia psicodélica e imersiva. O público percorre dez salas expositivas, cada uma conectada a sentimentos ou palavras que traduzem aspectos da personalidade e da trajetória de Janis.

 

“Quando ela canta, ela se entrega completamente, e ela teve uma vida muito intensa em todos os sentidos. Se o que mais marca a Janis é a emoção, vou fazer uma exposição e dividi-la pelas emoções muito presentes na vida dela.”


 

Entre os ambientes, destaca-se a sala batizada de Amor Brasil, que reúne lembranças da passagem da artista pelo país, em 1970, durante o Carnaval carioca. Foram reunidos registros fotográficos, vídeos e até um trecho de carta escrita por Janis à mãe a partir do Brasil. O diretor do MIS ressaltou que ela ficou muito feliz com a estadia no país.

 

Trajetória da estrela do rock

 

Janis Joplin nasceu em Port Arthur, Texas, em 1943, e se notabilizou por sua voz rouca, potente e cheia de intensidade. Na adolescência, foi fortemente influenciada por músicos como Leadbelly, Bessie Smith e Big Mama Thornton, que desempenharam papel decisivo em sua escolha de se dedicar ao canto.

 

Durante o ensino médio, Janis participou de grupos de música folk com amigos e também se interessou por pintura. Chegou a frequentar universidades em Beaumont e Austin, mas logo percebeu que estava mais conectada à cena do blues e à poesia beat do que aos estudos acadêmicos.

 

Após abandonar a faculdade, mudou-se em 1963 para São Francisco, onde viveu na região de Haight-Ashbury, local conhecido pelo ambiente de experimentação e uso de drogas. Nessa época, construiu amizade com o guitarrista Jorma Kaukonen, futuro integrante do Jefferson Airplane, com quem gravou músicas acompanhadas pelo som de máquina de escrever tocada por Margareta, esposa de Kaukonen.

 

Pouco tempo depois, Janis retornou ao Texas e se matriculou no curso de sociologia na Universidade Lamar, mas voltou à Califórnia em 1966, marcada pela crescente inserção na cena musical. Sua carreira, embora breve, durou pouco mais de quatro anos.

 

A notoriedade veio ao participar do grupo Big Brother and the Holding Company, expoente do rock psicodélico de São Francisco. Com a banda, Janis gravou dois álbuns emblemáticos: Big Brother and the Holding Company (1967) e Cheap Thrills (1968).

 

Em seguida, ela deixou o grupo para investir na carreira solo, lançando dois discos: I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama (1969) e Pearl (1971), este último publicado postumamente.

 

Janis Joplin faleceu em 4 de outubro de 1970, aos 27 anos, vítima de uma overdose de heroína, poucos dias após a morte de outro ícone musical, Jimi Hendrix.

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