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Cuba reforça pedido pelo fim do embargo energético em encontro com EUA

Diplomatas priorizaram suspensão do embargo energético e destacaram necessidade de respeito mútuo no diálogo

21/04/2026 às 11:28
Por: Redação

Representantes do Ministério das Relações Exteriores de Cuba confirmaram, em declarações ao jornal Granma, que ocorreu uma reunião recente entre delegações cubana e norte-americana em Havana, capital do país. O encontro foi realizado na segunda-feira (20), tendo a delegação cubana priorizado, durante as conversas, a solicitação para que o governo dos Estados Unidos suspenda o embargo energético atualmente imposto à ilha.

 

No decorrer da sessão de trabalho, os diplomatas de Cuba destacaram como pauta central a demanda pelo fim do bloqueio energético, argumentando que a medida prejudica a população e representa uma forma injustificada de coerção econômica. A representação cubana enfatizou que o embargo é interpretado como um instrumento de chantagem global voltado contra Estados soberanos, que, por direito, deveriam poder exportar combustíveis para o país caribenho conforme os princípios do livre comércio.

 

Detalhando a composição das delegações, Alejandro García, diretor-geral adjunto do Ministério das Relações Exteriores de Cuba para os Estados Unidos, informou que participaram, pelo lado norte-americano, secretários-adjuntos do Departamento de Estado. Já pelo lado cubano, estiveram presentes autoridades no nível de vice-ministro das Relações Exteriores.

 

Durante o encontro bilateral, García del Toro descreveu o diálogo como conduzido de forma respeitosa e profissional. Ele esclareceu que, ao contrário de relatos publicados por meios de comunicação dos Estados Unidos, não houve por parte de nenhum dos lados a estipulação de prazos nem a emissão de declarações com teor coercitivo.

 

O representante de Cuba ressaltou também que as reuniões entre os países ocorrem de maneira discreta, principalmente pela sensibilidade dos temas abordados na agenda bilateral.

 

Em relação à prioridade cubana no encontro, García del Toro destacou:

 

“Eliminar o bloqueio energético contra o país era uma prioridade máxima para nossa delegação. Esse ato de coerção econômica é uma punição injustificada para toda a população cubana. É também uma forma de chantagem em escala global contra Estados soberanos, que têm todo o direito de exportar combustível para Cuba, de acordo com os princípios do livre comércio.”

 

Reforço do embargo e consequências para Cuba

 

Desde 29 de janeiro, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou o bloqueio já existente contra Cuba por meio de uma ordem executiva. O documento declarou que o país seria considerado uma ameaça incomum e extraordinária à segurança dos Estados Unidos, instaurando estado de emergência nacional.

 

A referida ordem concede a Washington autorização para aplicar sanções contra qualquer país que tente fornecer petróleo à ilha, seja de maneira direta ou indireta. A imposição do embargo provoca escassez de combustível, situação que interfere diretamente no cotidiano dos cidadãos cubanos.

 

Apesar do rigor das restrições, o governo de Cuba reiterou seu interesse em manter canais de diálogo com as autoridades norte-americanas. Contudo, o país ressalta que os diálogos devem acontecer em ambiente de respeito mútuo e sem interferências externas.

 

Perspectivas para negociações futuras

 

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel, em entrevista recente concedida à publicação americana Newsweek, afirmou ser possível estabelecer conversas produtivas com os Estados Unidos em diversas áreas. Entre os temas que poderiam ser discutidos estão ciência, migração, combate ao narcotráfico, meio ambiente, comércio, educação, cultura e esportes.

 

Díaz-Canel destacou que tais diálogos devem sempre ser fundamentados em igualdade de condições e respeito integral à soberania nacional, ao sistema político vigente, ao direito internacional e à autodeterminação do povo cubano.

 

Em declaração dada ao programa Meet the Press, da NBC News, o chefe de Estado cubano reforçou:

 

“Podemos negociar, mas à mesa, sem pressão ou tentativas de intervenção dos EUA.”

 

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