Em evento realizado em Hannover, Brasil e Alemanha formalizaram uma declaração conjunta destinada a expandir a cooperação científica e tecnológica no campo dos minerais críticos e estratégicos. Esses elementos são reconhecidos como fundamentais para a transição energética e para o desenvolvimento de novas tecnologias.
A assinatura do documento ocorreu durante visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país europeu. O encontro contou com a presença do chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. O principal objetivo do acordo, estabelecido entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil e o Ministério Federal da Pesquisa, Tecnologia e Espaço da Alemanha, é criar condições para o fortalecimento de ações conjuntas focadas em pesquisa, desenvolvimento e inovação ao longo de toda a cadeia produtiva desses recursos naturais.
A definição de minerais críticos se refere a elementos indispensáveis para setores como defesa, produção de baterias, painéis solares e turbinas, bem como para diversas tecnologias modernas. Esses minerais apresentam risco de escassez e dependência de poucos fornecedores globais. O Brasil figura entre os países com maiores reservas desses insumos.
Após reunião bilateral, Lula destacou a importância de ir além da exportação primária dessas matérias-primas. O presidente defendeu a atração de cadeias de processamento industrial para o Brasil como estratégia de valorização do setor.
"Nossas reservas também nos tornam atores incontornáveis no debate sobre minerais críticos. Queremos atrair cadeias de processamento para o território brasileiro, sem fazer exportações excludentes. A colaboração em setores intensivos em tecnologia é uma prioridade para um país que não quer se limitar a ser um mero exportador de commodities", afirmou.
O chanceler Friedrich Merz também fez referência ao acordo ao se pronunciar para a imprensa. Segundo os termos da declaração conjunta, os dois países se comprometem a impulsionar a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação nas áreas de exploração, extração e processamento de minerais críticos, incluindo terras raras, outros metais e minerais essenciais.
As autoridades brasileiras e alemãs reconhecem que a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação são estratégicos para gerar maior valor agregado em toda a cadeia produtiva dos minerais críticos e estratégicos. Entre os objetivos do acordo estão o desenvolvimento industrial sustentável, a conquista de soberania tecnológica e o fortalecimento das capacidades industriais nacionais.
Além disso, estão previstos incentivos à inovação, especialmente voltados para pequenas e médias empresas de ambos os países, implementação de projetos conjuntos de pesquisa, desenvolvimento e inovação para uma gestão responsável dos minerais críticos, além de promover intercâmbio de cientistas e profissionais técnicos de pós-graduação.
O acordo prevê ainda a elaboração de um novo programa bilateral, com previsão para 2026, que oferecerá financiamento direto para instituições e empresas nacionais dos dois países.
No contexto da visita de Lula à Alemanha, foram firmados outros 14 atos conjuntos entre os dois governos. Um dos acordos envolve a colaboração no combate a crimes ambientais, abordando questões como desmatamento, tráfico ilegal de fauna e flora, pesca ilegal e mineração clandestina. Outro termo de cooperação refere-se à área de inteligência artificial, com ênfase em governo digital e aplicações industriais.
Também foi assinada uma carta de intenções em que o governo alemão propõe ampliar os recursos destinados ao Fundo de Combate às Mudanças Climáticas, gerenciado pelo governo brasileiro e operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A proposta visa financiar ações, estudos e projetos que contribuam para a redução de emissões de gases de efeito estufa e adaptação às mudanças climáticas no Brasil. O banco de desenvolvimento alemão KfW deverá aportar cerca de 500 milhões de euros nesse fundo.
Outros documentos assinados abrangem colaboração nas áreas de defesa, pesquisas oceânicas, apoio a micro e pequenas empresas, pesquisa aeroespacial, tecnologias quânticas e economia circular.
Esta é a segunda visita oficial de Lula à Alemanha durante o atual mandato. Em Hannover, o presidente brasileiro foi recebido com honras militares para a reunião com Merz. O Brasil está entre os poucos países que mantêm com a Alemanha um acordo de parceria estratégica, que representa o mais alto nível de relações diplomáticas para ambos os governos.
Durante sua agenda, Lula também participou da cerimônia de abertura de uma das maiores feiras industriais do mundo, a Hannover Messe, na qual o Brasil é destaque neste ano. O presidente ainda esteve em encontro com empresários brasileiros e alemães, onde ressaltou as oportunidades oferecidas pelo setor de biocombustíveis.