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Tensão no Oriente Médio faz dólar ultrapassar R$ 5 e Ibovespa recuar

Mercado financeiro brasileiro registrou alta da moeda americana e queda da bolsa nesta quinta-feira (23) devido à instabilidade geopolítica.

24/04/2026 às 01:52
Por: Redação

O mercado financeiro brasileiro registrou uma quinta-feira (23) de instabilidade, com o dólar superando a marca de cinco reais e o principal índice da bolsa de valores, o Ibovespa, experimentando uma queda. A movimentação foi reflexo direto da deterioração do panorama internacional e do aumento da aversão global ao risco, impulsionados por novas incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio.

 

A moeda norte-americana concluiu o dia negociada a cinco reais e três milésimos (R$ 5,003), após uma valorização de 2 centavos e 9 milésimos (+0,62%). Simultaneamente, o Ibovespa fechou em baixa de 0,78%, atingindo 191.378,43 pontos.

 

Câmbio reverte tendência e busca segurança

 

O dólar, que inicialmente operava em queda durante a manhã, inverteu sua trajetória no período da tarde, acompanhando uma busca global por ativos considerados mais seguros. Essa mudança de direção foi desencadeada por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de representantes iranianos, que geraram dúvidas sobre a sustentabilidade de um possível acordo de cessar-fogo na região.

 

Trump indicou que qualquer pacto com o Irã seria efetivado somente quando alinhasse aos interesses americanos, enquanto o governo iraniano demonstrou uma postura mais incisiva. Adicionalmente, relatos sobre a ativação de sistemas de defesa aérea no Irã contribuíram para elevar o nível de tensão no mercado.

 

Diante desses eventos, a cotação do dólar à vista, que havia alcançado uma mínima de quatro reais e noventa e quatro centavos (R$ 4,94) no início da tarde, subiu para uma máxima de cinco reais e dezoito milésimos (R$ 5,018) por volta das 16h40, antes de moderar sua alta ao término do pregão. No mercado futuro, o contrato com vencimento em maio registrou um avanço de 0,74%.

 

No cenário internacional, o índice que compara o desempenho do dólar frente a outras moedas também apresentou alta, refletindo a mesma cautela observada globalmente. Informações do Banco Central brasileiro revelaram uma saída líquida de 3,2 bilhões de dólares (US$ 3,2 bilhões) do país em abril, até o dia 17, acentuando o fluxo negativo de capital desde o início do conflito.

 

Bolsa brasileira segue mercados internacionais

 

A Bovespa acompanhou a trajetória negativa dos mercados globais, encerrando o dia em baixa, sob a influência do aumento das tensões no Oriente Médio e das quedas registradas nas bolsas de Nova York.

 

O Ibovespa oscilou entre uma mínima de 190.929 pontos e uma máxima de 193.346 pontos, com um volume financeiro totalizando 24,9 bilhões de reais (R$ 24,9 bilhões). O clima de maior risco foi intensificado por operações militares e estratégicas na região do Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial para o transporte global de petróleo. A apreensão de embarcações pelo Irã e as ameaças militares por parte dos Estados Unidos acentuaram a preocupação entre os investidores.

 

Petróleo registra forte valorização

 

Os preços do petróleo registraram uma alta significativa, impulsionados pela escalada das tensões e pelos receios de interrupções no fornecimento global do combustível. O barril do tipo Brent, referência internacional, fechou a 105 dólares e 7 centavos (US$ 105,07), com um aumento de 3,1%. Já o WTI avançou 3,11%, alcançando 95 dólares e 85 centavos (US$ 95,85). Ao longo do dia, os valores chegaram a subir aproximadamente 5 dólares (US$ 5) por barril.

 

O mercado reagiu a notícias de confrontos internos no Irã, ataques aéreos e à saída de um negociador-chave nas discussões indiretas com os EUA. Além disso, o reforço do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do volume mundial de petróleo, elevou o temor de desabastecimento. A combinação de incerteza geopolítica, restrições no transporte marítimo e declarações divergentes de autoridades mantém os mercados financeiros em um estado de elevada volatilidade.

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