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Mineradora brasileira de terras raras é adquirida por empresa dos EUA

Negócio de US$ 2,8 bilhões cria multinacional líder em terras raras e prevê fornecimento por 15 anos.

21/04/2026 às 11:35
Por: Redação

A companhia americana USA Rare Earth (USAR) anunciou a aquisição da mineradora brasileira Serra Verde, especializada em terras raras, em uma negociação avaliada em aproximadamente dois bilhões e oitocentos milhões de dólares. O comunicado sobre a transação foi feito pelas empresas nesta segunda-feira, dia 20.

 

Localizada em Minaçu, no estado de Goiás, a Serra Verde é responsável pela operação da mina de Pela Ema, destacando-se como a única mina de argilas iônicas em funcionamento no Brasil, com início da produção em 2024. A empresa também se diferencia como a única produtora, fora do continente asiático, das quatro terras raras pesadas consideradas mais críticas e valiosas: Disprósio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y). No cenário mundial, a China responde por mais de noventa por cento da extração de terras raras.

 

Os elementos extraídos pela Serra Verde são fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes utilizados em automóveis elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones, aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência, além de serem empregados em setores como semicondutores, defesa, indústria nuclear e aeroespacial.

 

De acordo com informações da própria mineradora, a transação permitirá a formação da maior organização do segmento de terras raras no mundo. Atualmente, a produção na unidade de Goiás está em sua primeira fase e ainda é considerada pequena, mas há previsão de dobrar a capacidade até o ano de 2030.

 

“As operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia, quando combinadas com as capacidades de mineração e 'downstream' da USAR”, informou o grupo Serra Verde em declaração ao mercado.


 

Contrato de longo prazo garante fornecimento

 

Pelo contrato estabelecido, está prevista a entrega dos materiais por um período de quinze anos a uma Empresa de Propósito Específico (SPV), financiada por diferentes agências do governo norte-americano e por recursos de capital privado. Toda a produção da Fase I será destinada a essa empresa, com preços mínimos assegurados para os minerais magnéticos extraídos.

 

Uma nota divulgada pela USAR destaca que o acordo proporciona estabilidade e previsibilidade na geração de caixa para a Serra Verde, o que resulta em redução de riscos e fortalecimento dos investimentos necessários para o desenvolvimento da companhia.

 

O comunicado oficial ressalta ainda que essa união viabilizará a criação de uma multinacional líder no setor de terras raras, capaz de atuar ao longo de toda a cadeia produtiva, desde a mineração até a fabricação de ímãs, abrangendo oito operações localizadas no Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido. As atividades incluem mineração, processamento, separação, metalização e industrialização de ímãs, tanto para terras raras leves quanto pesadas.

 

“Esses marcos são um ponto positivo significativo para o Brasil e demonstram a capacidade do país de desempenhar um papel de liderança no desenvolvimento das cadeias globais de suprimentos de terras raras. As garantias de fornecimento, assim como a combinação com a USAR, validam a qualidade da Serra Verde: nossa operação única, nossos colaboradores e seu compromisso com práticas responsáveis”, disse Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração e diretor de operações do Grupo Serra Verde.


 

Após o anúncio, as ações da USA Rare Earth registraram valorização superior a oito por cento na bolsa de valores Nasdaq por volta das 15h30. Segundo informações, a equipe da companhia brasileira será mantida, e dois de seus executivos — Sir Mick Davis e Thras Moraitis, respectivamente presidente do conselho e diretor executivo do Grupo Serra Verde — passam a integrar a diretoria da USAR.

 

A dependência global da produção chinesa de terras raras tem sido alvo de críticas em discursos recentes do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O tema tem acirrado divergências entre os governos de Washington e Pequim.

 

O título desta matéria foi atualizado às 18h21.

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